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10/12/2020

Paciente Baiano identificado com "Superfungo" passa bem; Ainda não é possível saber se esse é o 1º caso

Saúde
Superfungo


O paciente baiano em que foi identificada uma mostra do Candida auris - fungo resistente a medicamentos e potencialmente mortal - passa bem. De acordo com Antônio Bandeira, infectologista da Diretoria de Vigilância Epidemiológica do Estado da Bahia (DIVEP), o indivíduo conseguiu ter uma "excelente" recuperação em relação ao organismo. 

"Não há nenhum risco em relação a esse fungo no momento", disse sobre o paciente que não teve nome, idade ou gênero divulgado nesta terça-feira (8). Na última segunda-feira (7), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta sobre uma investigação em curso a respeito do possível 1º caso positivo de um dos fungos mais temidos do mundo.

O organismo foi identificado pelo setor de microbiologia de um hospital privado de Salvador, na amostra de ponta de cateter de um de seus pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) adulto da instituição.

No geral, o Candida auris é capaz de provocar doenças sistêmicas; infecções de doença sanguínea; infecções associadas e relacionadas a cateteres; E infecções de feridas cirúrgicas ou otológicas - nos ouvidos.

"A maior parte dos fungos não tem transmissão de pessoa para pessoa. A gente vê isso geralmente com bactérias ultra-resistentes. No entanto, esse fungo pode ser transmitido de pessoa para pessoa - por contato. Além disso, ele pode ficar em superfície", afirmou Bandeira.

Segundo ele, todas as medidas para isolamento de pacientes da unidade - que também não foi identificada - foram tomadas. Da mesma forma, foi reforçada às medidas de higienização,de mãos e das superfícies - para garantir que não ocorra risco de propagação no ambiente hospitalar ou para outras unidades.

Nesse momento, ainda não se trabalha com a possibilidade de interdição do estabelecimento. "Ainda não há nenhuma evidência de que seja necessário. Pelo contrário: O Hospital tem trabalhado ativamente, de forma intensiva, conjunta com o Estado, no sentido de fazer cumprir tudo que é necessário para conter e investigar todos os fatores envolvidos na identificação", informou.

Bandeira diz que ainda não é possível saber se esse é o primeiro paciente com o fungo ou se existe mais de uma pessoa com o mesmo quadro. A investigação atualmente em andamento é realizada pelo governo do Estado e pelo hospital em parceria com a Anvisa e Ministério da Saúde, além da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

"Esse hospital, achando diferente as características que tinham sido identificadas no painel semi-automatizado, encaminhou para o laboratório Central do Estado (Lacen) - que em duas análises confirmou por meio de metodologia chamada MALDI-TOF", contou.

Contudo, como se trata da primeira circulação desse fungo no Brasil, a sepa com o organismo foi encaminhada ao Estado de São Paulo para que seja realizado o sequenciamento genético da mostra.

Esse exame não é rotineiramente realizado nas unidades de saúde e em virtude da sua complexidade requer uma tecnologia avançada para sua realização.

"O exame de triagem ele faz a suspeição e com esse grau de suspeição é possível pensar nessa possibilidade. Tanto pode ser a própria Candida auris identificada - que é mais raro - mas às vezes vários outros tipos de Candida, que são espécies raras e geralmente não muito presentes nas unidades hospitalares suscitam exatamente o levantamento desse tipo de sepa", acrescentou.

Ainda não é possível, por exemplo, saber o quão resistente a medicamentos a amostra coletada é. "Esse fungo geralmente é resistente a uma classe de anti-fungo normalmente utilizada. Em um terço dos casos, ele é resistente a duas classes - o que torna mais complexo. Excepcionalmente ele pode ser resistente às três classes principais de tratamento", concluiu.

A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) também divulgou no final desta tarde um vídeo com Bandeira, sobre o assunto. Assista: