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quinta-feira, 5 de março de 2020


Daniela conseguiu o visto de "talento distinto" na Austrália por excelência na profissão de tatuadora. — Foto: Reprodução/Instagram Danitattoofairy
Daniela conseguiu o visto de "talento distinto" na Austrália por excelência na profissão de tatuadora. — Foto: Reprodução/Instagram Danitattoofairy
A brasileira Daniela Vasconcellos conseguiu, em janeiro deste ano, algo raro - e talvez inédito - na Austrália: a residência permanente concedida por excelência em tatuagem. O visto de “talento distinto” (Distinguished Talent Visa, em inglês) dá o direito de moradia no país a pessoas que se destacam em sua profissão, nas artes, pesquisa ou esportes.

Daniela diz não ter conhecimento de outra pessoa que tenha conseguido o documento por ser tatuador. “Foi uma grande vitória, fiquei muito feliz”, diz a moça, que tem 36 anos e é de Porto Alegre, mas mora em Sydney há seis anos.

O visto não veio fácil - o processo durou, ao todo, 2 anos e 7 meses, e incluiu uma negativa inicial do governo australiano. Ela e a advogada recorreram da decisão, e, quando a permissão de residência permanente finalmente veio, foi com uma afirmação da juíza de que a brasileira era “um bem para a Austrália”.

Em outras áreas, explica Daniela, o processo pode durar bem menos - para o esporte, por exemplo, ela conhece pessoas que conseguiram a residência permanente em seis meses. Na tatuagem, por outro lado, todos os casos anteriores tiveram o pedido negado pelo governo, segundo Daniela.

“Esse visto representou toda uma luta de uma causa de uma profissão discriminada, que agora é vista como arte. Agora, o governo vê a tatuagem como arte”, diz Daniela.

Para conseguir o documento, a lista de requisitos é grande: é preciso ter uma nomeação de alguém da área, reconhecimento internacional na profissão (ela já viajava como tatuadora convidada ao redor do mundo), provar excelência, ter entrevistas publicadas, premiações, e usar o trabalho para agregar algo ao lugar onde mora.

E também não sai barato: de acordo com o site do governo da Austrália, custa 4.110 dólares australianos (cerca de R$ 10,8 mil).

Daniela Vasconcellos começou a tatuar aos 13 anos. — Foto: Arquivo pessoal/Daniela Vasconcellos
Daniela Vasconcellos começou a tatuar aos 13 anos. — Foto: Arquivo pessoal/Daniela Vasconcellos
“Foram muitas provas - não é nada fácil. E, depois de um ano [do primeiro pedido], tive o visto negado”, relata. “Mas eu preenchia todos os critérios, por isso resolvemos insistir, apelar. Meu currículo eram mais de 50 páginas. No próprio tribunal, quando chegou no final da audiência, que durou duas horas, a juíza disse que não precisava mostrar mais coisa”, conta, rindo.

A brasileira relata que o visto é tão raro de ser concedido que chegou a procurar dois advogados que nem sabiam que ele existia. "Mandaram procurar um patrocinador ou casar", conta.


Depois de apelar da primeira decisão, ela recebeu a resposta positiva dois dias depois da audiência, em dezembro passado. O visto chegou no dia 9 de janeiro, e ela tatuou a data no próprio braço. No ano que vem, a brasileira afirma que já pode pedir a cidadania australiana, o que pretende fazer.

"Consegui uma meta, que era essa [o visto], mas eu não paro de aprender -- minha grande meta da vida é aprender o máximo que puder e transmitir conhecimento para facilitar a vida dos outros", diz. “Tenho muita gratidão a todos que me ajudaram a conquistar o visto e aos clientes que sempre acreditaram na minha arte”.