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sexta-feira, 5 de julho de 2019

Brumadinho: Corpo de Bombeiros encontra mais um corpo a cinco metros de profundidade na lama

Área 'Remanso 2', dentro da mina Córrego do Feijão, da Vale, onde a barragem B1 se rompeu em janeiro deste ano — Foto: Corpo de Bombeiros de Minas Gerais/Divulgação

O Corpo de Bombeiros informou que encontrou nesta sexta-feira (5) mais um corpo na área do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, Região Metropolitana de Belo Horizonte. Os restos mortais estavam a cerca de cinco metros de profundidade na lama.

Até o momento, 247 mortes já foram confirmadas e 23 pessoas estão desaparecidas ou não identificadas. A lista de mortos só é atualizada quando há a confirmação de identificação dos restos mortais. A Defesa Civil de Minas Gerais ainda não atualizou o balanço.

De acordo com os bombeiros, o corpo foi achado em uma área chamada "Remanso 2", que fica abaixo da área administrativa da mina Córrego do Feijão. Esta área fica ao lado da "Remanso 1", onde outro corpo foi encontrado nesta quinta-feira (4). Esta vítima foi identificada como Carlos Roberto Pereira, de 62 anos. O corpo dele estava parcialmente preservado e foi identificado pela arcada dentária.

Nesta sexta-feira (5), o corpo da vítima foi encontrado incompleto, sem os membros inferiores e com parte da arcada dentária, importante para ajudar na identificação. A preservação de um corpo completo é mais difícil neste tipo de ocorrência porque a lama atinge alta velocidade e destrói tudo o que encontra pela frente.

Não foi possível identificar sexo ou idade aparente deste corpo, que foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) de Belo Horizonte para ser analisado.

O Corpo de Bombeiros afirmou que o corpo foi encontrado pelo trabalho de inteligência da corporação, que usou um cruzamento de dados para definir locais de busca mais prioritários. Mais de 90% das vítimas já foram localizadas.

“Durante esses mais de cinco meses nós temos processado as informações. Tudo é levado a conhecimento da nossa equipe de planejamento e o resultado disso é que, revolvendo menos de 10% desses 10,5 milhões de m² de rejeito, a gente já tenha conseguido atingir essa marca superior a 91% de localização”, disse o tenente Pedro Aihara nesta quinta-feira (14).

Sequenciador de DNA

A Polícia Civil aguarda a chegada para este mês de um novo equipamento, um sequenciador de DNA, para reforçar o trabalho de identificação das vítimas.

De acordo com o superintendente de Polícia Técnico-Científica, Thales Bittencourt, hoje, cerca de 130 fragmentos corpóreos estão em análise no IML. Em 30 casos, uma primeira análise já demonstrou que trata-se de amostras de vítimas já identificadas. Mas, em outros 30, já se esgotou a possibilidade de reconhecimento com a tecnologia hoje disponível na corporação.

Segundo o superintendente, o sequenciador de DNA, chamado Illumina, poderá ajudar na identificação dessas amostras. Ele será doado pela Vale e a previsão é que chegue por volta de 15 de julho.

A polícia afirmou que, em mais de 70 casos, amostras ainda passam pelo processo de extração de DNA para comparação.

Para o superintendente, não se pode dizer se há ou não segmentos de vítimas desaparecidas entre esses casos, mas, segundo ele, é possível que a maior parte delas ainda não tenha tido o corpo resgatado.