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segunda-feira, 3 de junho de 2019

Máscaras faciais: saiba no que elas podem (ou não) ajudar

Tendência nas redes sociais, as máscaras podem ajudar em questões de pele mais simples (Foto: Plume Creative/Getty Images)
Se você navega bastante nas redes sociais, deve ter reparado quando os blogueiros e influenciadores digitais começaram a aparecer com cremes coloridos no rosto, como se estivessem em um luxuoso spa. Mas o tratamento era feito em casa mesmo — em um momento dedicado ao autocuidado e relaxamento. Não demorou para que as chamadas máscaras faciais invadissem farmácias e perfumarias e, claro, a rotina de beleza de muita gente.

As promessas dos produtos são das mais variadas: hidratar a pele, trazer frescor, evitar oleosidade, adiar o envelhecimento, remover cravos e espinhas, e por aí vai. Tudo por baixo preço e alta praticidade — de quebra, dá para fazer uma selfie e atualizar seu perfil.

Mas essa febre não carrega DNA brasileiro. “As máscaras são bem antigas e ganharam popularidade a partir de uma tendência lá na Coreia do Sul, onde a população usa muitos cosméticos”, contextualiza a cosmetóloga Vânia Leite, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e presidente da Associação Brasileira de Cosmetologia (ABC). Elas começaram a desembarcar desse lado do mundo dentro da mala de turistas e, aos poucos, as marcas passaram a se estabelecer em todo o Ocidente.

De acordo com pesquisa do NPD, um grupo americano que faz estudos de mercado para identificar tendências de consumo, em 2014 o aumento das vendas de produtos desse tipo nos Estados Unidos chegou a 60% em relação ao ano anterior.

Não existem dados específicos sobre o Brasil, mas é fato que o investimento em cosméticos para a pele tem crescido entre a população. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), nosso país representa, hoje, o oitavo maior mercado mundial de itens voltados à cútis.

Antes de sair comprando e experimentando tudo quanto é máscara, porém, há pontos a considerar. Afinal, elas realmente cumprem aquilo que garantem na embalagem? A resposta é: depende. Ao longo da reportagem, você verá que há fórmulas capazes de ajudar em certos aspectos, sim — mas outras possuem ação limitada.

No evento “Acne na mulher adulta: uma nova doença crônica”, recém-promovido pela farmacêutica Bayer na capital paulista, os dermatologistas presentes frisaram que, ainda que os produtos tenham espaço nos cuidados com a pele, não há estudos de peso para comprovar a eficácia deles — muito menos indicar possíveis riscos.

“Geralmente, as máscaras ajudam em questões mais básicas, como hidratação e limpeza. Não chegam a apresentar efeito terapêutico robusto”, avalia o dermatologista Adilson da Costa, orientador de pós-graduação no Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual de São Paulo.

A dermatologista Tatiana Gabbi, da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), lembra que, para tratar manchas e condições como a rosácea, por exemplo, não dá para fugir da avaliação médica. Nesses casos, o profissional costuma receitar medicamentos manipulados, com substâncias e doses específicas para cada paciente. “As máscaras até dão alguma contribuição, mas não fazem milagre”, arremata a especialista.

Vânia acrescenta que a eficácia do produto depende da fórmula. Por isso, cai bem pedir a opinião de quem entende. Para a cosmetóloga Karina Elisa Machado, professora da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), em Santa Catarina, checar a marca também faz toda a diferença. “Quando você compra um cosmético, precisa analisar o fabricante e quanto ele investe em pesquisas”, opina.

Ainda segundo Karina, algumas linhas apresentam mais apelo comercial do que resultados em si. Outro motivo para bater um papo com o profissional.

Máscaras faciais são úteis em questões de pele mais simples

Nutrição: Muitas delas conseguem repor componentes dos quais a pele necessita, como gorduras e vitaminas.

Oleosidade: Há substâncias que obstruem os poros temporariamente para, assim, reduzir a secreção de sebo — ou até absorvê-la.

Hidratação: Há máscaras com substâncias fundamentais para a manutenção da água na pele, como o ácido hialurônico.

Relaxamento: Ideais para usar após a limpeza de pele feita em clínica. Amenizam processos irritativos capazes de provocar coceira e queimação.