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sábado, 23 de março de 2019

Bolsonaro diz que Brasil ‘não tem pretensão’ de ação militar na Venezuela



O presidente Jair Bolsonaro disse nesta 6ª feira (22.mar.2019) que o Brasil pretenda intervir militarmente na Venezuela.

“[O presidente norte-americano Donald] Trump disse a todos que todas as possibilidades estão à mesa. Eu conversei com ele. O Brasil não tem pretensão nenhuma em militarmente entrar na Venezuela”, afirmou em entrevista à emissora chilena TVN.

Assim como fez nos Estados Unidos, Bolsonaro não quis revelar o conteúdo da conversa privada que teve com Trump no Salão Oval da Casa Branca. “A conversa reservada que ele teve comigo, se eu torná-la pública, deixa de ser estratégica. O que eu conversei com o Trump fica entre eu e ele”.

Bachelet: política ‘parecida com a nossa’

A alta-comissionária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet tem, segundo Bolsonaro, uma “política muito parecida” com a de seu governo, “de defesa dos direitos humanos”. Bachelet é ex-presidente do Chile, pelo Partido Socialista local.

Sobre a atuação dela na Venezuela, Bolsonaro avalia poder ser “mais contundente”. “Creio que pode ter mais força”, afirmou. Na 4ª feira, Bachelet disse estar “profundamente preocupada com o encolhimento do espaço democrático, especialmente, com a contínua criminalização de protestos e dissidências pacíficas” pelo regime de Nicolás Maduro.

Bolsonaro comparou a ex-presidente com o atual mandatário do país vizinho. Para o capitão reformado do Exército, Sebastian Piñera “tem uma posição muito clara. E com a criação do Prosul mostra essa busca por uma solução”, disse.

Nesta 6ª, Bolsonaro, Piñera e representantes de outros 6 países assinaram a Declaração de Santiago, proposta de criação do fórum de desenvolvimento. Na carta conjunta, declararam que “entre os requisitos essenciais” para integrar o grupo, está o de estar em “plena vigência da democracia”. A mensagem pode ser uma referência ao governo venezuelano.

Críticas ao PT e suas ‘cartilhas’

Nos 5 minutos e 58 segundos de entrevista, Jair Bolsonaro usou o tom conservador que marcou sua carreira política. Questionado se era contra o movimento feminista, disse: “Não posso permitir que alguns ativistas imponham esses comportamentos em nossas escolas”.

Indagado se ele era machista e xenófobo, Bolsonaro disse ter ganho as eleições em 1 país com eleitorado de mulheres, negros e homossexuais. E colocou a culpa no PT.

“Esse tema LGBT surgiu contra mim em 2010, enquanto eu via que o plano do PT, o Partido dos Trabalhadores, buscava difundir livros, filmes e cartilhas com meninos e meninas se tocando. Nenhum pai –nem o homossexual– gosta disso“, disse.

Desigualdade salarial entre gêneros

Questionado, então, sobre 1 relatório publicado em dezembro de 2018 pelo Fórum Econômico Mundial que indicou serem necessários 202 anos para ser atingida a igualdade salarial entre homens e mulheres no mercado, Bolsonaro disse que o Brasil dá condições semelhantes a homens e mulheres.

“A Consolidação das Leis do Trabalho já garante remuneração muito parecida”, disse o presidente. O chefe do Executivo brasileiro disse não ser possível apertar a legislação para a iniciativa privada nesse ponto.

Importância do Chile para o Brasil

Logo no começo da entrevista, Bolsonaro disse que a “própria presença” dele no país vizinho demonstra a importância do Chile para o Brasil.

O presidente ressaltou que é o “2º maior parceiro econômico do Brasil” na América do Sul, atrás apenas da Argentina.